De acordo com a Wikipédia, Sarau vem do latim seranus e do galego serao. Significa um evento cultural ou musical, que é realizado em casas de artistas que se encontram para expressarem e se manifestarem artisticamente.
Na semana passada realizei com meus alunos do terceiro ano do ensino fundamental o primeiro sarau do ano. Dispus as cadeiras de forma circular, para que todos pudessem visualizar os colegas.
No início, poucos alunos queiseram participar, pois estavam com vergonha. Após as primeiras leituras, todos da turma queiseram ler.
Um problema a ser enfrentado é que as crianças ainda não aprenderam a ouvir os colegas. Todos querem ler, mas poucos se dispõe a ouvir com atenção os colegas que estão lendo.
Acredito que isso se dê porque muitos ainda possuem dificuldades ao realizar as leituras, dificultando o entendimento dos que ouvem.
Os poemas lidos foram de autores já consagrados, como Henriqueta Lisboa, Vinicius de Moraes, José Paulo Paes, entre outros.
Hoje acontecerá lá no CEU o primeiro Sarau da EJA. A diferença é que os poemas lidos foram escritos pelos próprios alunos.
Prometo que na próxima postagem colocarei muitas fotos dos dois Saraus que realizamos.
Esse poema não foi lido pelas crianças,mas resolvi deixá-lo aqui para que vocês se inebriem com o vinho da poesia.
Henriqueta Lisboa
Do supérfluo
Também as cousas participam
de nossa vida. Um livro. Uma rosa.
Um trecho musical que nos devolve
a horas inaugurais. O crepúsculo
acaso visto num país
que não sendo da terra
evoca apenas a lembrança
de outra lembrança mais longínqua.
O esboço tão-somente de um gesto
de ferina intenção. A graça
de um retalho de lua
a pervagar num reposteiro
A mesa sobre a qual me debruço
cada dia mais temerosa
de meus próprios dizeres.
Tais cousas de íntimo domínio
talvez sejam supérfluas.
No entanto
que tenho a ver contigo
se não leste o livro que li
não viste a rosa que plantei
nem contemplaste o pôr-do-sol
à hora em que o amor se foi?
Que tens a ver comigo
se dentro em ti não prevalecem
as cousas — todavia supérfluas —
do meu intransferível patrimônio?
Publicado: Pousada do Ser (1982)
Também as cousas participam
de nossa vida. Um livro. Uma rosa.
Um trecho musical que nos devolve
a horas inaugurais. O crepúsculo
acaso visto num país
que não sendo da terra
evoca apenas a lembrança
de outra lembrança mais longínqua.
O esboço tão-somente de um gesto
de ferina intenção. A graça
de um retalho de lua
a pervagar num reposteiro
A mesa sobre a qual me debruço
cada dia mais temerosa
de meus próprios dizeres.
Tais cousas de íntimo domínio
talvez sejam supérfluas.
No entanto
que tenho a ver contigo
se não leste o livro que li
não viste a rosa que plantei
nem contemplaste o pôr-do-sol
à hora em que o amor se foi?
Que tens a ver comigo
se dentro em ti não prevalecem
as cousas — todavia supérfluas —
do meu intransferível patrimônio?
Publicado: Pousada do Ser (1982)
Um abraço
G. RECCO
Nenhum comentário:
Postar um comentário